Desejos

por Valdenir em . Publicado em Orson Peter Carrara.

Orson Peter Carrara
Desejo

A palavra desejo lembra vontade, que inclusive é uma de suas definições. É a vontade de possuir algo, de alcançar um objetivo, de ir ou estar em algum lugar, de desfrutar de algum benefício, posição, cargo, título ou até um apetite alimentar e mesmo uma atração sexual. Digamos, em síntese, que trata-se de uma aspiração humana. A própria conjugação do verbo indica: ter vontade, sentir desejo, entre outras definições.

Entre o desejo e a conquista – seja do que for – há um espaço enorme que envolvem providências, conveniências, precipitação, capacidade, utilidade, possibilidade e outros tantos desdobramentos que não é difícil imaginar e elencar.

É quando entra a disciplina de um propósito sempre esquecido: a educação do desejo.

Afinal, como discipliná-lo correta e coerentemente? Como transformar esse sentimento de querer numa fonte de alegrias para si mesmo e para muitos? As situações são variadas, claro, individuais e coletivas.

A educação, por sua vez, mais que instrução que se adquire, está na moralização dos próprios hábitos e comportamentos, que redundem em polidez, fraternidade, moralidade e intenso esforço de melhorar a si mesmo e simultaneamente beneficiar aqueles que estão à nossa volta, em qualquer momento ou situação.

Um menino de dez anos

por Valdenir em . Publicado em Orson Peter Carrara.

Crianças

Orson Peter Carrara

 Enquanto os pais assistiam ao show musical, acomodados no grande salão do belo teatro, o garoto de apenas dez anos estava no banheiro “aprontando”. Ele simplesmente “socou” vários rolos de papel higiênico nos vasos sanitários, entupiu os ralos do chão e das pias com o mesmo papel picadinho e saiu deixando todas as torneiras abertas.

O resultado não se fez esperar. Em breve tempo a água invadiu o espaço todo que dava acesso aos sanitários, surpreendendo o público e funcionários na saída do show.

O autor da “arte” não foi descoberto no momento. A mãe veio me contar posteriormente porque o garoto, ouvindo minha palestra sobre minha timidez na infância e adolescência, quis conversar comigo. Disse-me ele do enfrentamento com os colegas na sala de aula, que o atormentam – segundo sua versão –, razão pela qual identificou-se com a minha fala. Durante nossa conversa, transmiti-lhe otimismo, pedi-lhe que não reagisse às provocações, abracei-o e o estimulei ao bom comportamento. Mas eu ainda não sabia do episódio do teatro.

Dráuzio Varella e Kardec.

por Valdenir em . Publicado em Cotidiano - Wellington Balbo.

penitenciaria

Wellington Balbo

 

 

Podemos extrair, se quisermos, lições de absolutamente tudo nesta vida. Lendo o livro, As prisioneiras, de Dráuzio Varella, observo as falas dos detentos quanto aos costumes e cultura das penitenciárias dos anos 1950 e 1960. Dizem eles que as “cadeias” hoje são muito mais tranquilas, no quesito violência, do que outrora. Ou seja, sob o aspecto moral as penitenciárias, em virtude das atitudes dos detentos, progrediram. Talvez você espante-se com tal situação, haja vista que falamos de um presídio e a primeira ideia que nos vem a mente é a de que o progresso visita todos os lugares, menos este por conter pessoas que atuam à margem da sociedade. Interessante é que a fala da detenta bate com o que ensina Kardec em O Livro dos Espíritos sobre a Lei do Progresso.

Deus, sendo a inteligência suprema, faz cumprir sua lei em todos os cantos e recantos do universo, incluindo-se as penitenciárias.

Sim, nós melhoramos, prezado leitor, todos melhoram.

Por que lamentar-se?

por Valdenir em . Publicado em Orson Peter Carrara.

Lamentação

Orson Peter Carrara

Deus criou o homem ativo, inteligente e livre,

E o fez artífice de seu próprio destino.

Abriu diante dele dois caminhos que pode seguir:

Um vai para o mal e o outro para o bem.

O primeiro dos dois é doce em aparência;

Para segui-lo não é preciso nenhum penoso esforço:

Sem estudo nem cuidados, viver na indolência,

Aos seus instintos brutais deixar um livre vôo,

Eis tudo o que é preciso.

Generosa ideia

por Valdenir em . Publicado em Orson Peter Carrara.

Café Suspenso

Orson Peter Carrara

A ideia exposta na história abaixo é muito generosa e enquadra-se perfeitamente nos princípios da solidariedade. Começou em Nápoles e se espalhou pelo mundo todo. E o Brasil absorve bem a iniciativa? Funcionaria aqui? Fiz um teste um dia desses com um amigo numa lanchonete, sem ele saber, e depois perguntei. Deu certo, o funcionário foi honesto.

Trata-se do “Café suspenso”. Veja a história já bem conhecida:

Dois amigos entram num café, e enquanto se aproximam das suas mesas, duas pessoas dirigem-se ao balcão, “Cinco cafés, por favor. Dois deles para nós e três suspensos.” Elas pagam os cinco cafés, levam dois e saem. “O que são esses cafés suspensos?”, pergunta um dos amigos. “Espera, já verás.”, responde o outro.

Furto legal

por Valdenir em . Publicado em Orson Peter Carrara.

Do-Calvario-ao-Infinito

Orson Peter Carrara

A expressão que usamos como título parece incoerente, mas é verdadeira: há um furto permitido por lei, com testemunhas inclusive. É um furto legalizado, no bom sentido da palavra. Nestes tempos bicudos de tensão, correria e preocupações, o texto abaixo, poético, real e suave, auxilia a dar uma trégua nas neuroses do cotidiano. Acompanhe comigo:

“(…) Há um furto legal permitido por Deus, pelas diversas religiões do globo e por todos os Códigos dos países cultos ou bárbaros: – consiste em ir alguém a um lar venturoso, cobiçar um dos seus mais belos ornamentos e usurpá-lo, com o assentimento dos lídimos possuidores, contentes ou constrangidos. Chama-se casamento. É como se alguém entrasse num jardim florido e colhesse o mais precioso espécime, o que mais o deslumbrara, à vista do seu cultivador que, às vezes, não contém as lágrimas… Acho-me na situação desse egoísta, apreciador dos tesouros alheios, amigo… Observo a dita mais perfeita no vosso lar abençoado e venho roubar-vo-la em parte, ou antes, desejo transplantar para o meu, deserto e entristecido, por falta de um arcanjo doméstico, uma centelha de alegria, de felicidade, de luz espiritualizante, que as há em abundância no vosso: quero enfim, meu amigo, permitais a aliança nupcial de Sônia com o meu Henrique… (…)”.

Contatos

  • Rua Tomáz Antonio Gonzaga, 305
    Bairro São José - Pouso Alegre - MG
  • (35) 3422 - 0768