Parte II – Aborto Entenda porque é um crime.

por Equipe CEVS em . Publicado em Estudando Espiritismo.

aborto

Dra. Marlene Nobre, médica ginecologista, presidente do Grupo Espírita Cairbar Schutel e da AME (Associação Médico-Espírita) do Brasil e Internacional, reponde na Revista Cristã de Espiritismo, nº 26, páginas 8-9:

Como a medicina aliada à espiritualidade vê a questão do aborto?

Como é lógico, os fundamentos da medicina espírita são os mesmos do espiritismo, sendo assim, a questão 358 de O Livro dos Espíritos deixa clara a questão do aborto: é um crime. (*)

Explique em linhas gerais quais são as conseqüências do aborto?

O aborto traz conseqüências orgânicas, psicológicas e espirituais, nesta existência e na outra, para a mulher que o provoca, para o companheiro que não a apóia na gravidez e para a equipe de saúde que o executa. Não há como negar, porém, que as conseqüências são mais graves para a mulher, porque, desde tempos imemoriais, ela traz no seu psiquismo o compromisso com os entezinhos que necessitam vir ao mundo para progredir. Essas conseqüências tomam o nome de obsessão, depressão, disfunções e doenças orgânicas do aparelho genital, etc.

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(*) Perante a Doutrina Espírita, o aborto pode ser praticado somente quando existe risco de morte da mãe, conforme exposto na questão 359 do Livro dos Espíritos:

359. Dado o caso que o nascimento da criança pusesse em perigo a vida da mãe dela, haverá crime em sacrificar-se a primeira para salvar a segunda?

“Preferível é se sacrifique o ser que ainda não existe a sacrificar-se o que já existe.”

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Quando a vida física se inicia?

Esta é a questão determinante para este ato nefando, que se alastra apoiado na fragilidade e na ignorância do ser humano.

Muito mais fácil é fugir da responsabilidade do que assumi-la, mesmo que para isso tenha que se agir contrariamente à natureza, assumindo pesados débitos perante a consciência individual e universal.

Neste primeiro roteiro vamos nos focar no início da vida física. Para compreendermos que o aborto é um crime, necessitamos ter a referência, a comprovação do instante em que um terceiro elemento, ou seja, o espírito reencarnante, entra em cena e começa a fazer parte da vida do casal.

A partir daí, onde se iniciam os direitos de um novo ser, encerram-se os nossos direitos e começam as nossas responsabilidades perante a vida.

No livro Missionários da Luz, escrito por Emmanuel, através da psicografia de Francisco Cândido Xavier, temos um capítulo inteiro dedicado à reencarnação e todo o processo envolvido.

Transcrevemos abaixo parte deste capítulo que retrata o instante em que se dá a união do espírito reencarnante ao óvulo fecundado, dando início à vida:

“Indicando os órgãos geradores de Raquel e fazendo incidir sobre eles a sua luz, Alexandre preveniu-me, quanto à grandeza do quadro sob nossa observação, acentuando, respeitosamente:

– Temos aqui o altar sublime da maternidade humana. Perante o seu augusto tabernáculo, ao qual devemos a claridade divina de nossas experiências, devemos cooperar, na tarefa do amor, guardando a consciência voltada para a Majestade Suprema.

Inclinei-me para a organização feminina de nossa irmã reencarnada, dentro de uma veneração que nunca, até então, havia sentido.

Auxiliado pelo concurso magnético do mentor querençoso, passei a observar as minúcias do fenômeno da fecundação.

Através dos condutos naturais, corriam os elementos sexuais masculinos, em busca do óvulo, como se estivessem preparados de antemão para uma prova eliminatória, em corrida de três milímetros, aproximadamente, por minuto. Surpreendido, reconheci que o número deles se contava por milhões e que seguiam, em massa, para frente, em impulso instintivo, na sagrada competição.

No silêncio sublime daqueles minutos, compreendi que Alexandre, em vista de ser o missionário mais elevado do grupo em operação de auxilio, dirigia os serviços graves da ligação primordial.

Segundo depreendi, ele podia ver as disposições cromossômicas de todos os princípios masculinos em movimento, depois de haver observado, atentamente, o futuro óvulo materno, presidindo ao trabalho prévio de determinação do sexo do corpo a organizar-se. Após acompanhar, profundamente absorto no serviço, a marcha dos minúsculos competidores que constituíam a substância fecundante, identificou o mais apto, fixando nele o seu potencial magnético, dando-me a idéia de que o ajudava a desembaraçar-se

dos companheiros para que fosse o primeiro a penetrar a pequenina bolsa maternal. O elemento focalizado por ele ganhou nova energia sobre os demais e avançou rapidamente na direção do alvo. A célula feminina que, em face do microscópico projétil espermático, se assemelhava a um pequeno mundo arredondado de açúcar, amido e proteínas, aguardando o raio vitalizante, sofreu a dilaceração da cutícula, à maneira de pequenina embarcação torpedeada, e enrijeceu-se, de modo singular, cerrando os poros tenuíssimos, como se estivesse disposta a recolher-se às profundezas

de si mesma, a fim de receber, face a face, o esperado visitante, e impedindo a intromissão de qualquer outro dos competidores, que haviam perdido a primeira posição na grande prova.

Sempre sob o influxo luminoso-magnético de Alexandre, o elemento vitorioso prosseguiu a marcha, depois de atravessar a periferia do óvulo, gastando pouco mais de quatro minutos para alcançar o seu núcleo. Ambas as forças, masculina e feminina, formavam agora uma só, convertendo-se ao meu olhar em tenuíssimo foco de luz. O meu orientador, absolutamente entregue ao seu trabalho, tocou a pequenina forma com a destra, mantendo-se no serviço de divisão da cromatina, cujas particularidades são ainda inacessíveis à minha compreensão, conservando a atitude do cirurgião seguro de si, na técnica operatória. Em seguida, Alexandre ajustou a forma reduzida de Segismundo, que se interpenetrava com o organismo perispirítico de Raquel, sobre aquele microscópico globo de luz, impregnado de vida, e observei que essa vida latente começou a movimentar-se. Havia decorrido precisamente um quarto de hora, a contar do instante em que o elemento ativo ganhara o núcleo do óvulo passivo(***). Depois de prolongada aplicação magnética, que era secundada pelo esforço dos Espíritos Construtores, Alexandre aproximou-se de mim e falou:

– Está terminada a operação inicial de ligação. Que Deus nos proteja.

Sentindo a admiração com que eu seguia, agora, o processo da divisão celular, em que se formava rapidamente a vesícula de germinação, o orientador acentuou:

– O organismo maternal fornecerá todo o alimento para a organização básica do aparelho físico, enquanto a forma reduzida de Segismundo, como vigoroso modelo, atuará como imã entre limalhas de ferro, dando forma consistente à sua futura manifestação no cenário da Crosta.

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(***)Havia decorrido precisamente um quarto de hora, a contar do instante em que o elemento ativo ganhara o núcleo do óvulo passivo.

Neste trecho do relato trazido por André Luiz podemos dimensionar qual o espaço de tempo é ocorrido deste a concepção até a ligação do espírito reencarnante à célula-ovo.

Concluímos então que, após alguns minutos da fecundação, já existe uma vida imantada à primeira célula.

Qualquer meio de eliminação antinatural deste novo ser é crime porque estamos agindo além dos nossos direitos, influenciando diretamente no mecanismo da vida.

Sabemos que a vida espiritual é pré-existente à vida física e que ela se associa a um novo organismo no momento da união do espermatozóide ao óvulo, dando, através de seu magnetismo próprio, condições de agrupamento dos elementos que irão compor seu novo corpo. Toda disposição contrária a este mecanismo, que não seja natural, é um aviltamento à vida e terá conseqüências, que serão abordados em nossa próxima publicação.

Centro Espírita Vinhas do Senhor

Pouso Alegre/ MG, 15/09/2014.

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