CORDIALMENTE

por Valdenir em . Publicado em Crônicas - Humberto Campos.

Trabalhador

Pelo Espírito Irmão X (Humberto de Campos).

Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

Livro: Histórias e Anotações. Lição nº 20. Página 123.

 E se você perdoasse?

Declara-se aflito e exausto. Aproximou-se do Espiritismo, como quem busca a fonte de águas vivas. Deslumbrado, feliz, você saciou a sede de conhecimento e consolação. Sentiu a grandeza da vida que se estende, sublime, além da morte, e passou a cooperar a fim de que outros recebessem a mesma dádiva.

Entretanto, alega a impossibilidade de ajustar-se às demais peças da máquina de serviço. Assevera, contrafeito, haver encontrado na organização doutrinária a inconsciência, a insensatez, a desconfiança e a maldade. Afirma que os irmãos não vibram no mesmo ritmo de fraternidade com que seu coração vai marcando as horas renovadoras.

Suas boas intenções são deturpadas, seus melhores sentimentos feridos…

No entanto, que lavrador do mundo encontrou o campo sem obstáculos e sem erva daninha, convidando-o ao amor da sementeira inicial?

Se você, de mãos postas no arado da própria redenção avançasse, firme, no esforço silencioso, provavelmente não seria defrontado pelo desapontamento.

Não espere que o amigo venha ao encontro de suas necessidades, nem estabeleça dívidas de gratidão que você mesmo teria dificuldade de aceitar.

Não fomos chamados a servir entre anjos.

Criaturas imperfeitas quais somos, por que exigir um paraíso com exclusividade para os nossos desejos? Permanecemos num imenso campo de trabalho, onde cada servo foi trazido pelos Desígnios Superiores a recanto diferente.

O Espiritismo Evangélico detém gloriosa tarefa a concretizar-se através da colaboração dos homens de boa vontade. Se não nos sentirmos edificados para a melhoria dos outros, como realizar o cometimento?

Além disso, não creia seja você o único a tolerar. Todos nós arquivamos traços condenáveis na personalidade que outros suportam a seu turno. Falhando-nos o senso de auxílio mútuo, como garantir a integridade das obras?

Por que a demora na exasperação ou no desânimo, se há tanto serviço nobre por fazer? Por que disputar funções alheias se cada qual de nós está situado na posição em que será possível produzir mais e melhor?

As abelhas, em plena atividade da colméia, quando visitadas por algum detrito, não perdem tempo, atribuindo-lhe demasiada importância. Envolvem o elemento indesejável em cera isolante e prosseguem na abençoada faina do mel.

Esqueçamos também o mal perturbador para que o bem não sofra perigoso intervalo.

Depois do sepulcro, na maioria das vezes, é que descobrimos o valor dos detritos nos círculos de luta em que você ainda se encontra.

O corpo constitui para a alma o que a enxada representa para o lavrador – instrumento bendito para a aquisição de experiência. E acaso poderíamos justificar a deserção do agricultor, diante de pedras e espinheiros? Para que a enxada? Para que a oportunidade de elevação?

Não menoscabe o seu ensejo de aprender, trabalhar e servir.

Quanto à imperfeição dos companheiros, lembre-se de que o doente reclama remédio, tanto quanto o abismo anseia plenitude.

As visões gloriosas e as gloriosas revelações não traduzem mais que responsabilidade.

Paulo de Tarso contempla Jesus, radiante de beleza celestial, às portas de Damasco, todavia, voltando a si do êxtase divino, repara que a paisagem é a mesma e que os seus problemas individuais continuam inalteráveis, exigindo-lhe alta capacidade de renunciação e sacrifício para resolvê-los perante as Leis Eternas. O próprio Mestre, depois de maravilhosamente transfigurado no Tabor, desce o monte iluminado para escalar a cruz em plena sombra.

Que deseja, pois, meu amigo?

Voar sem asas? Não intente. Por enquanto trabalhe por alcançá-las.

É provável que você se aborreça com o meu parecer.

Esta opinião, porém, é de um “morto” para um “vivo” e, por isto mesmo, não tem maior importância.

Se você puder aproveitá-la, parabéns, merece pela atitude arrojada, diante de si próprio, mas se estiver incapacitado, continue procurando a “boa vida” até que a morte lhe descerre a visão.

A essa altura, aprenderá muita lição útil na compulsória, engaiolado no “cárcere do tempo perdido”, contudo, nem por isso esteja abatido e desconsolado porque você não será o primeiro.

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