QUEM AVISA

por Valdenir em . Publicado em Crônicas - Humberto Campos.

Escrita

Humberto de Campos

Extraído do Livro.: Lázaro Redivivo – FEB

 Conta-se que um cômico célebre, em pleno espetáculo, recebeu, no entreato, um telegrama triste, anunciando-lhe a morte do pai. Desatando as lágrimas, voltou à ribalta, em suprema consternação, comunicando à platéia : – “Meus senhores, acabo de ser informado de que meu pai morreu!…” Ao invés, porém, da compunção dos ouvintes, recebeu estonteantes aplausos. O público ria gostosamente, acreditando na continuação da peça, embora o patético a caracterizar-se no rosto angustiado do artista. Naquele instante, seu coração era uma fonte de lágrimas, sustentando um rio de gargalhadas. Onde a culpa do infeliz?

Há pessoas que nascem na Terra com o dom de chorar para que outros desenvolvam a faculdade de rir.

A propósito, conheço um homem que viveu alguns anos no mundo escrevendo anedotário venenoso, que muitos leitores consumiam, ávidos, no silêncio de salas desertas. Cavalheiros respeitáveis e senhoras bem postas, jovens de ambos os sexos, recolhiam-se, de quando em quando, em obscuros recantos da casa, cultivando a perfídia sorridente e a ironia maliciosa. Liam com interesse, lembravam pessoas de suas relações, emoldurando-as nos quadros que a leitura lhes sugeria e, não raro, cerravam a porta, a fim de viverem, mais intensamente, as impressões recolhidas.

A LENDA DAS LÁGRIMAS

por Valdenir em . Publicado em Crônicas - Humberto Campos.

Criação

Humberto de Campos

Extraído do Livro.: Crônicas de Além Túmulo – FEB

 

Rezam as lendas bíblicas que o Senhor, após os seis dias de grandes atividades da criação do mundo, arrancado do caos pela sua sabedoria, descansou no sétimo para apreciar a sua obra.

E o Criador via os portentos da Criação, maravilhado de paternal alegria. Sobre os mares imensos voejavam as aves alegres; nas florestas espessas desabrochavam flores radiantes de perfumes, enquanto as luzes, na imensidade, clarificavam as apoteoses da Natureza, resplandecendo no Infinito, para louvar-lhe a glória e lhe exaltar a grandeza.

Jeová, porém, logo após a queda de Adão e depois de expulsá-lo do Paraíso, a fim de que ele procurasse na Terra o pão de cada dia com o suor do trabalho, recolheu-se entristecido aos seus imensos impérios celestiais, repartindo a sua obra terrena em departamentos diversos, que confiou às potências angélicas.

NA SUBIDA CRISTÃ

por Valdenir em . Publicado em Crônicas - Humberto Campos.

filipe

Humberto de Campos

Extraído do Livro: Luz Acima – FEB

 

Filipe, o velho pescador fiel ao profeta Nazareno, meditando bastas vezes na grandeza do Evangelho, punha-se a monologar para dentro da própria alma.

“A Boa-Nova – dizia consigo mesmo – era indiscutivelmente um monte divino, alto demais, porém, considerando-se as vulgaridades da existência comum. O Mestre era, sem duvida, o Embaixador do Céu. Entretanto, os princípios de que era portador mostravam-se transcendentes em demasia. Como enfrentar as dificuldades e resolvê-las?

Ele, que acompanhava o Senhor, passo a passo, atravessava obstáculos imensos, de modo a segui-lo com fidelidade e pureza. Momentos surgiam em que, de súbito, via esfaceladas as promessas de melhoria íntima que formulava a si próprio. É quase impraticável a ascensão evangélica. Os ideais, as esperanças e objetivos do Salvador permaneciam excessivamente longínquos ao seu olhar… Se os óbices da jornada espiritual lhe estorvavam sadios propósitos do coração, que não ocorreria aos homens inscientes da verdade e mais frágeis que ele mesmo?”

O ANJO E O MALFEITOR

por Valdenir em . Publicado em Crônicas - Humberto Campos.

anjo

Humberto de Campos

Extraído do Livro: Estante da Vida – FEB

 O mensageiro do Céu volveu do Alto a sombrio vale do mundo, em apoio de centenas decriaturas mergulhadas na enfermidade e no crime, na miséria e na ignorância, e, necessitando de concurso alheio para estender socorro urgente, começou por recorrer à publicação de apelos do próprio Evangelho, induzindo corações, em nome do Cristo, à compaixão e à caridade.

Entretanto, porque tardasse qualquer resultado concreto, de vez que todos os habitantes do vale se comoviam com as legendas, mas não se encorajavam à menor manifestação de amparo ao próximo, o Enviado Celestial, convicto de que fora recomendado pelo Senhor a servir e não a questionar, julgou mais acertado assumir a forma de um homem e solicitar sem delegar o apoio de alguém que lhe pudesse prestar auxílio.

NA FRENTE DO BEM

por Valdenir em . Publicado em Crônicas - Humberto Campos.

apostolos

Pelo Espírito Irmão X (Humberto de Campos).

Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

Livro: Fé. Lição nº 16. Página 54.

 Conta-se que, em certa ocasião, na casa dos apóstolos de Jesus, em Jerusalém, o trabalho de atendimento aos necessitados havia recrudescido.

Simão Pedro era o alvo das solicitações e das aflições.

Petitórios e queixas.

Quantos haviam escutado referências ao nome de Jesus e aos prodígios de amor que o Mestre realizara, vinham de longe…

E suplicavam…

E clamavam…

Muitos traziam querelas, outros carreavam perturbações.

Não raro, irmãos em demanda familiar, entravam em rixa ali mesmo, no recinto da fraternidade, trocando injúrias e pescoções.

Viajantes em extremo desespero abordavam a generosa moradia, implorando consolação.

Muitas vezes, os rogos se degeneravam em gritaria e palavrão, frustrando a tranqüilidade do santuário.

De vez que assumia a direção do grupo, era Pedro quem mais socorria os infelizes, mas, por isso mesmo, era mais intensamente policiado pelos olhos da crítica.

NOTA IMPORTANTE

por Valdenir em . Publicado em Crônicas - Humberto Campos.

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Pelo Espírito Irmão X (Humberto de Campos).

Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

Livro: Juntos Venceremos. Lição nº 15. Página 44.

 Joaquim Pires, desencarnado, chegou à fronteira da Esfera Superior com problemas que lhe obstavam a marcha.

Respondia a perguntas diversas, quando o Mensageiro do Mais Alto inquiriu se havia sido ele um cristão autêntico.

Pires gaguejou e passou a justificar-se:

– Que procurei seguir o Cristo, não tenho dúvida.

Entretanto, quem poderá dizer que isso é fácil?

Em todos os templos das várias correntes de Cristianismo, surpreendi negações e contradições que me congelaram as esperanças…

Pregadores do Evangelho, de palavra inflamada, terminavam preleções santificantes para se desmandarem, logo após, em rixas deprimentes…

Vi condutores de fé, ensinando amor e deitando as unhas no próximo…

Discípulos iminentes das lições do Senhor, reportando-se à caridade e mandando prender infelizes crianças que lhes batiam à porta, esmolando comida…

A ORDEM DO MESTRE

por Valdenir em . Publicado em Crônicas - Humberto Campos.

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Humberto de Campos

Extraído do Livro: Crônicas de Além Túmulo – FEB

 20 de Dezembro de 1935

 Avizinhando-se o Natal, havia também no Céu um rebuliço de alegrias suaves. Os Anjos acendiam estrelas nos cômoros de neblinas douradas e vibravam no ar as harmonias misteriosas que encheram um dia de encantadora suavidade a noite de Belém. Os pastores do paraíso cantavam e, enquanto as harpas divinas tangiam suas cordas sob o esforço caricioso dos zéfiros da imensidade, o Senhor chamou o Discípulo Bem-Amado ao seu trono de jasmins matizados de estrelas.

O vidente de Patmos não trazia o estigma da decrepitude como nos seus últimos dias entre as Espórades. Na sua fisionomia pairava aquela mesma candura adolescente que o

caracterizava no princípio do seu apostolado.

– João – disse-lhe o Mestre – lembras-te do meu aparecimento na Terra?

– Recordo-me, Senhor. Foi no ano 749 da era romana, apesar da arbitrariedade de frei Dionísios, que colocou erradamente o vosso natalício em 754, calculando no século VI da era cristã.

– Não, meu João – retornou docemente o Senhor – não é a questão cronológica que me interessa em te argüindo sobre o passado. É que nessas suaves comemorações vem até mim o murmúrio doce das lembranças!…

História de um médium

por Valdenir em . Publicado em Crônicas - Humberto Campos.

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Humberto de Campos

Extraído do Livro.: Novas Mensagens – FEB

As observações interessantes sobre a doutrina dos Espíritos sucediam-se umas às outras, quando
um amigo nosso, velho lidador do Espiritismo, no Rio de Janeiro, acentuou, gravemente:
– “Em Espiritismo, uma das questões mais sérias é o problema do médium…”
– “Sob que prisma?” – Indagou um dos circunstantes.
– “Quanto ao da necessidade de sua própria edificação para vencer o meio.”
– “Para esclarecer a minha observação – continuou o nosso amigo – contar-lhe-ei a história de um companheiro dedicado, que desencarnou, há poucos anos, sob os efeitos de uma obsessão terrível e dolorosa.”
Todo o grupo, lembrando os hábitos antigos, como se ainda estacionássemos num ambiente terrestre, aguçou os ouvidos, colocando-se à escuta:
– “Azarias Pacheco – começou o narrador – era um operário despreocupado e humilde do meu bairro, quando as forças do Alto chamaram o seu coração ao sacerdócio mediúnico. Moço e inteligente, trabalhava na administração dos serviços de uma oficina de consertos, ganhando, honradamente, a remuneração mensal de quatrocentos mil réis.

NOS LIMITES DO CÉU

por Valdenir em . Publicado em Crônicas - Humberto Campos.

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Pelo Espírito Irmão X (Humberto de Campos).

 Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

Livro: Luz Acima. Lição nº 04. Página 27.

 

No extremo limite da Terra com o Céu, aportou um peregrino envolto em nevado manto.

Irradiava pureza e brandura. A fronte denunciava-lhe a nobreza pelos raios diamantinos que emitia em todas as direções. Extenso halo de luz assinalava-lhe a presença.

Recebido pela entidade angélica, que presidia à importante passagem, apresentou sua aspiração máxima: – “ingressar definitivamente no paraíso, gozar-lhe o descanso beatífico”.

O Divino funcionário, embora admirado e reverente perante espírito tão puro, esboçou o gesto de quem notava alguma falha menos visível ao olhar inexperiente e considerou:

- Meu irmão, rendo homenagem à altura de tuas vestes, entretanto, vejamos se já adquiriste a virtude perfeita.

Sorridente, feliz, o viajor vitorioso pôs-se à escuta.

DESAPONTAMENTO DE UM SUICIDA

por Valdenir em . Publicado em Crônicas - Humberto Campos.

Suicida

Humberto de Campos

Extraído do Livro: Reportagens de Além-Túmulo – FEB

 O generoso Rogério, excelente amigo do plano espiritual, que, desde muitos anos, vem consagrando as melhores energias ao serviço das entidades sofredoras, procurou-me para um convite.

– Queres acompanhar-me no trabalho de socorrer um desventurado suicida que sofre nas regiões inferiores, há trinta anos?

– Trinta anos? – interroguei, admirado.

– Outros existem, nos círculos de padecimentos atrozes, com mais dilatado tempo que esse – respondeu serenamente.

Por minha parte, não conseguia dissimular o assombro justo.

– Semelhantes angústias – retorqui – devem ser conseqüências de romance bem doloroso.

– Não tanto. No presente caso, ao lado do infortúnio, não podemos esquecer a irreflexão e a rebeldia.

A observação de Rogério espicaça-me a curiosidade.

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