A LENDA DAS LÁGRIMAS

por Valdenir em . Publicado em Crônicas - Humberto Campos.

Criação

Humberto de Campos

Extraído do Livro.: Crônicas de Além Túmulo – FEB

 

Rezam as lendas bíblicas que o Senhor, após os seis dias de grandes atividades da criação do mundo, arrancado do caos pela sua sabedoria, descansou no sétimo para apreciar a sua obra.

E o Criador via os portentos da Criação, maravilhado de paternal alegria. Sobre os mares imensos voejavam as aves alegres; nas florestas espessas desabrochavam flores radiantes de perfumes, enquanto as luzes, na imensidade, clarificavam as apoteoses da Natureza, resplandecendo no Infinito, para louvar-lhe a glória e lhe exaltar a grandeza.

Jeová, porém, logo após a queda de Adão e depois de expulsá-lo do Paraíso, a fim de que ele procurasse na Terra o pão de cada dia com o suor do trabalho, recolheu-se entristecido aos seus imensos impérios celestiais, repartindo a sua obra terrena em departamentos diversos, que confiou às potências angélicas.

NA SUBIDA CRISTÃ

por Valdenir em . Publicado em Crônicas - Humberto Campos.

filipe

Humberto de Campos

Extraído do Livro: Luz Acima – FEB

 

Filipe, o velho pescador fiel ao profeta Nazareno, meditando bastas vezes na grandeza do Evangelho, punha-se a monologar para dentro da própria alma.

“A Boa-Nova – dizia consigo mesmo – era indiscutivelmente um monte divino, alto demais, porém, considerando-se as vulgaridades da existência comum. O Mestre era, sem duvida, o Embaixador do Céu. Entretanto, os princípios de que era portador mostravam-se transcendentes em demasia. Como enfrentar as dificuldades e resolvê-las?

Ele, que acompanhava o Senhor, passo a passo, atravessava obstáculos imensos, de modo a segui-lo com fidelidade e pureza. Momentos surgiam em que, de súbito, via esfaceladas as promessas de melhoria íntima que formulava a si próprio. É quase impraticável a ascensão evangélica. Os ideais, as esperanças e objetivos do Salvador permaneciam excessivamente longínquos ao seu olhar… Se os óbices da jornada espiritual lhe estorvavam sadios propósitos do coração, que não ocorreria aos homens inscientes da verdade e mais frágeis que ele mesmo?”

O ANJO E O MALFEITOR

por Valdenir em . Publicado em Crônicas - Humberto Campos.

anjo

Humberto de Campos

Extraído do Livro: Estante da Vida – FEB

 O mensageiro do Céu volveu do Alto a sombrio vale do mundo, em apoio de centenas decriaturas mergulhadas na enfermidade e no crime, na miséria e na ignorância, e, necessitando de concurso alheio para estender socorro urgente, começou por recorrer à publicação de apelos do próprio Evangelho, induzindo corações, em nome do Cristo, à compaixão e à caridade.

Entretanto, porque tardasse qualquer resultado concreto, de vez que todos os habitantes do vale se comoviam com as legendas, mas não se encorajavam à menor manifestação de amparo ao próximo, o Enviado Celestial, convicto de que fora recomendado pelo Senhor a servir e não a questionar, julgou mais acertado assumir a forma de um homem e solicitar sem delegar o apoio de alguém que lhe pudesse prestar auxílio.

NA FRENTE DO BEM

por Valdenir em . Publicado em Crônicas - Humberto Campos.

apostolos

Pelo Espírito Irmão X (Humberto de Campos).

Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

Livro: Fé. Lição nº 16. Página 54.

 Conta-se que, em certa ocasião, na casa dos apóstolos de Jesus, em Jerusalém, o trabalho de atendimento aos necessitados havia recrudescido.

Simão Pedro era o alvo das solicitações e das aflições.

Petitórios e queixas.

Quantos haviam escutado referências ao nome de Jesus e aos prodígios de amor que o Mestre realizara, vinham de longe…

E suplicavam…

E clamavam…

Muitos traziam querelas, outros carreavam perturbações.

Não raro, irmãos em demanda familiar, entravam em rixa ali mesmo, no recinto da fraternidade, trocando injúrias e pescoções.

Viajantes em extremo desespero abordavam a generosa moradia, implorando consolação.

Muitas vezes, os rogos se degeneravam em gritaria e palavrão, frustrando a tranqüilidade do santuário.

De vez que assumia a direção do grupo, era Pedro quem mais socorria os infelizes, mas, por isso mesmo, era mais intensamente policiado pelos olhos da crítica.

NOTA IMPORTANTE

por Valdenir em . Publicado em Crônicas - Humberto Campos.

nota

Pelo Espírito Irmão X (Humberto de Campos).

Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

Livro: Juntos Venceremos. Lição nº 15. Página 44.

 Joaquim Pires, desencarnado, chegou à fronteira da Esfera Superior com problemas que lhe obstavam a marcha.

Respondia a perguntas diversas, quando o Mensageiro do Mais Alto inquiriu se havia sido ele um cristão autêntico.

Pires gaguejou e passou a justificar-se:

– Que procurei seguir o Cristo, não tenho dúvida.

Entretanto, quem poderá dizer que isso é fácil?

Em todos os templos das várias correntes de Cristianismo, surpreendi negações e contradições que me congelaram as esperanças…

Pregadores do Evangelho, de palavra inflamada, terminavam preleções santificantes para se desmandarem, logo após, em rixas deprimentes…

Vi condutores de fé, ensinando amor e deitando as unhas no próximo…

Discípulos iminentes das lições do Senhor, reportando-se à caridade e mandando prender infelizes crianças que lhes batiam à porta, esmolando comida…

A ORDEM DO MESTRE

por Valdenir em . Publicado em Crônicas - Humberto Campos.

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Humberto de Campos

Extraído do Livro: Crônicas de Além Túmulo – FEB

 20 de Dezembro de 1935

 Avizinhando-se o Natal, havia também no Céu um rebuliço de alegrias suaves. Os Anjos acendiam estrelas nos cômoros de neblinas douradas e vibravam no ar as harmonias misteriosas que encheram um dia de encantadora suavidade a noite de Belém. Os pastores do paraíso cantavam e, enquanto as harpas divinas tangiam suas cordas sob o esforço caricioso dos zéfiros da imensidade, o Senhor chamou o Discípulo Bem-Amado ao seu trono de jasmins matizados de estrelas.

O vidente de Patmos não trazia o estigma da decrepitude como nos seus últimos dias entre as Espórades. Na sua fisionomia pairava aquela mesma candura adolescente que o

caracterizava no princípio do seu apostolado.

– João – disse-lhe o Mestre – lembras-te do meu aparecimento na Terra?

– Recordo-me, Senhor. Foi no ano 749 da era romana, apesar da arbitrariedade de frei Dionísios, que colocou erradamente o vosso natalício em 754, calculando no século VI da era cristã.

– Não, meu João – retornou docemente o Senhor – não é a questão cronológica que me interessa em te argüindo sobre o passado. É que nessas suaves comemorações vem até mim o murmúrio doce das lembranças!…

História de um médium

por Valdenir em . Publicado em Crônicas - Humberto Campos.

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Humberto de Campos

Extraído do Livro.: Novas Mensagens – FEB

As observações interessantes sobre a doutrina dos Espíritos sucediam-se umas às outras, quando
um amigo nosso, velho lidador do Espiritismo, no Rio de Janeiro, acentuou, gravemente:
– “Em Espiritismo, uma das questões mais sérias é o problema do médium…”
– “Sob que prisma?” – Indagou um dos circunstantes.
– “Quanto ao da necessidade de sua própria edificação para vencer o meio.”
– “Para esclarecer a minha observação – continuou o nosso amigo – contar-lhe-ei a história de um companheiro dedicado, que desencarnou, há poucos anos, sob os efeitos de uma obsessão terrível e dolorosa.”
Todo o grupo, lembrando os hábitos antigos, como se ainda estacionássemos num ambiente terrestre, aguçou os ouvidos, colocando-se à escuta:
– “Azarias Pacheco – começou o narrador – era um operário despreocupado e humilde do meu bairro, quando as forças do Alto chamaram o seu coração ao sacerdócio mediúnico. Moço e inteligente, trabalhava na administração dos serviços de uma oficina de consertos, ganhando, honradamente, a remuneração mensal de quatrocentos mil réis.

NOS LIMITES DO CÉU

por Valdenir em . Publicado em Crônicas - Humberto Campos.

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Pelo Espírito Irmão X (Humberto de Campos).

 Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

Livro: Luz Acima. Lição nº 04. Página 27.

 

No extremo limite da Terra com o Céu, aportou um peregrino envolto em nevado manto.

Irradiava pureza e brandura. A fronte denunciava-lhe a nobreza pelos raios diamantinos que emitia em todas as direções. Extenso halo de luz assinalava-lhe a presença.

Recebido pela entidade angélica, que presidia à importante passagem, apresentou sua aspiração máxima: – “ingressar definitivamente no paraíso, gozar-lhe o descanso beatífico”.

O Divino funcionário, embora admirado e reverente perante espírito tão puro, esboçou o gesto de quem notava alguma falha menos visível ao olhar inexperiente e considerou:

- Meu irmão, rendo homenagem à altura de tuas vestes, entretanto, vejamos se já adquiriste a virtude perfeita.

Sorridente, feliz, o viajor vitorioso pôs-se à escuta.

DESAPONTAMENTO DE UM SUICIDA

por Valdenir em . Publicado em Crônicas - Humberto Campos.

Suicida

Humberto de Campos

Extraído do Livro: Reportagens de Além-Túmulo – FEB

 O generoso Rogério, excelente amigo do plano espiritual, que, desde muitos anos, vem consagrando as melhores energias ao serviço das entidades sofredoras, procurou-me para um convite.

– Queres acompanhar-me no trabalho de socorrer um desventurado suicida que sofre nas regiões inferiores, há trinta anos?

– Trinta anos? – interroguei, admirado.

– Outros existem, nos círculos de padecimentos atrozes, com mais dilatado tempo que esse – respondeu serenamente.

Por minha parte, não conseguia dissimular o assombro justo.

– Semelhantes angústias – retorqui – devem ser conseqüências de romance bem doloroso.

– Não tanto. No presente caso, ao lado do infortúnio, não podemos esquecer a irreflexão e a rebeldia.

A observação de Rogério espicaça-me a curiosidade.

Marte

por Valdenir em . Publicado em Crônicas - Humberto Campos.

marte

Humberto de Campos

(Recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, em 25 de julho de 1939).

 “Enquanto as empresas de turismo organizam na Terra os grandes cruzeiros intercontinentais, realizando um dos mais belos esforços de socialização do século XX, no mundo dos Espíritos organizam-se caravanas de fraternidade, nos planos do intermúndio”.

Na região do estômago, o privilégio pertence aos sujeitos felizes, bem fichados nos círculos bancários, mas, nos planos do coração, os livros de cheque são desnecessários. Novo Gulliver da vida, mergulho a minha observação nos espetáculos assombrosos, experimentando, além das águas do Aqueronte11, a mudança integral de todas as perspectivas.

Encarcerado no ponto convencional de sua existência transitória, o homem terrestre é aquela coruja incapaz de enfrentar a luz da montanha, em pleno dia, suportando apenas a sombra espessa e triste de sua noite. Como Ajax, filho de Oileu12, contempla, às vezes, o tridente irado dos deuses, mas, embora a sua desesperação e o seu orgulho, não vai além da ilha, onde a maré alta o atirou, nos caprichosos movimentos do oceano da Vida.

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